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Quando a rede balança na praça: Myra Maya faz da saudade um forró de eternidade

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Entre a rede que embala e a sanfona que atravessa gerações, a artista costura saudade, identidade e pertencimento em um espetáculo gratuito no coração da cidade

No próximo sábado, 07 de março, às 18h, a cantora Myra Maya ocupa a Praça dos Três Poderes, em frente ao Museu de História da Paraíba, no Centro de João Pessoa, com o espetáculo gratuito Forró de Painho. Mas reduzir o projeto à palavra “show” seria simplificar o que, na verdade, é rito, é travessia, é retorno às origens.

O Forró de Painho nasce da lembrança e da herança. Idealizado a partir das vivências de Myra com seu pai, Francisco Feliciano da Silva, o eterno “Painho”, o espetáculo transforma memória íntima em partilha coletiva. As canções que ecoavam dentro de casa, entoadas na cadência preguiçosa da rede, ganham agora o corpo da praça, o sopro do vento urbano, o coro do público.

Francisco foi a primeira escola musical da artista. Antes dos palcos, houve a sala; antes dos refletores, a luz morna do fim de tarde sertanejo; antes dos aplausos, o silêncio atento de uma filha aprendendo que o forró não é apenas ritmo, mas linguagem afetiva. O que era canto doméstico torna-se patrimônio emocional compartilhado.

O repertório reúne clássicos do forró e canções que dialogam com essa linhagem sonora que atravessa gerações. Não se trata apenas de revisitar músicas, mas de recriar atmosferas. Cada acorde carrega o peso doce da saudade, cada verso parece bordado com as mãos da memória.

A cenografia dialoga com as redes artesanais de São Bento, terra natal de seu pai, evocando o sertão não como geografia distante, mas como estado de espírito. A rede, símbolo central do espetáculo, é metáfora e matéria: embala, acolhe, transmite. Nela, o tempo não é linha reta, mas balanço contínuo entre passado e presente.

Com produção executiva da Estrela Amarela Prod e ambientação assinada por Thiago Alexandre Eventos, o projeto valoriza a identidade nordestina como força estética e política. O sertão sobe ao palco sem caricatura, com dignidade, textura e poesia.

O espetáculo terá duração aproximada de 1h30 e contará com participações especiais. Antes da atração principal, o público poderá acompanhar uma apresentação de abertura, preparando o terreno sensível para o encontro maior.

“É um espetáculo que nasce da saudade, do amor e da gratidão. É o forró que começou dentro de casa e agora encontra o público”, afirma Myra.

Ao ocupar a praça, o Forró de Painho reafirma que memória não é arquivo morto, mas semente. E quando a sanfona soar diante do Palácio da Redenção, não será apenas música: será o gesto delicado de uma filha devolvendo ao mundo aquilo que primeiro recebeu em forma de afeto.

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