Veneziano Vital do Rêgo passou a contar, nos últimos dias, um novo enredo aos paraibanos: o de que enfrenta uma campanha do tostão contra o milhão e ele próprio seria o tostão. Para o deputado estadual e candidato a deputado federal Tião Gomes, a tentativa de vestir o papel de candidato pobre é uma piada. Ele classificou a história como uma mentira cabeluda.
O primeiro problema do enredo está nos números. Veneziano e Nabor Wanderley, alvo da comparação, declararam pouco mais de R$ 1 milhão em bens cada um à Justiça Eleitoral. Tião questiona como alguém que nasceu em berço de ouro, tem um irmão ministro e ocupa uma cadeira no Senado há quase oito anos pode dizer que faz uma campanha do tostão.
Na avaliação do deputado, Veneziano tenta se fazer de pobre coitado diante de uma trajetória que os paraibanos conhecem. Foi vereador, prefeito de Campina Grande e deputado federal antes de chegar ao Senado. Sua mãe, Nilda Gondim, foi deputada federal e senadora. Seu irmão, Vital do Rêgo Filho, preside o Tribunal de Contas da União e mantém fazendas milionárias e atividades de engorda de gado no Maranhão, negócios que repercutiram na imprensa nacional. É essa história que leva Tião a rejeitar o personagem do tostão.
Outra declaração de bens torna a comparação ainda mais difícil de sustentar: Ana Cláudia Vital, esposa de Veneziano e candidata a deputada estadual mais rica da Paraíba, informou quase R$ 8 milhões em bens. Veneziano declarou pouco mais de R$ 1 milhão. Para Tião, o senador quer que o eleitor ignore esses números e aceite a pose de coitadinho.
O deputado vê desespero nessa insistência em posar de vítima enquanto Veneziano perde aliados.
Um levantamento publicado nesta semana apontou dez prefeitos que retiraram dele o primeiro voto para o Senado: três passaram a apoiar Nabor e sete, João Azevêdo.
Para Tião, a mentira cabeluda do Cabeludo não resiste a um pente fino: basta olhar a história política da família e as declarações de bens.




